A maior parte da aquicultura brasileira, com exceção da criação de camarões nordestina, é caracterizada por empreendimentos de pequeno porte, sistemas de produção extensivos e com pouco uso de tecnologias. No entanto, graças às tecnologias como os bioflocos, esse cenário está mudando.

Os métodos tradicionais de cultivo extensivo (como os tanques escavados e tanques-redes) exigem uma grande demanda de água e, consequentemente, de ração. Já no cultivo intensivo, costuma-se usar filtros biológicos, ou outros meios de filtragem para manter a qualidade da água.

Nesse cenário, uma alternativa com grandes benefícios é a Tecnologia de Bioflocos, ou Biofloc Technology (BFT), como é conhecida em inglês.

O que são bioflocos?

Antes de falar sobre os benefícios, vamos entender o que são bioflocos? De modo simples, são partículas que ficam suspensas na água ou nas paredes dos tanques e viveiros de produção.

Uma série de organismos se desenvolvem em cima dos bioflocos, criando um sistema que permite que a água utilizada na aquicultura dure muito mais tempo do que o normal. É o chamado sistema de bioflocos.

Em criações tradicionais, a troca de água precisaria ser feita diariamente, uma vez que passa a ter resíduos consequentes das atividades das espécies. Mas a lista de benefícios dos bioflocos não para por aí. A seguir, você vai conhecer as 6 principais vantagens de utilizar essa tecnologia.

Bioflocos permitem uma curta cadeia produtiva, o Atacarejo e o selo de sustentabilidade.

Ideal para locais com restrição de espaço

As criações intensivas com a tecnologia de bioflocos são feitas em tanques artificiais. Ou seja, são ideais para locais com pouco espaço.

As fazendas de pequeno porte costumam utilizar os tanques elevados em formato retangular ou os elevados em formato circular, que são uma ótima opção para quem busca o cultivo de organismos aquáticos (aquicultura) com o cultivo de plantas (aquaponia) e a irrigação de pastos (fertirrigação).

Já o tanque escavado lonado é praticado com maior frequência em regiões de costa, aproveitando tanques que evoluíram do sistema extensivo.

Graças ao desenvolvimento de diversas ferramentas para a análise de água, bem como de técnicas de manejo e avaliação zootécnica frequentes, é possível aumentar a quantidade de animais por metro cúbico, tornando a produção mais intensiva.

Pouca (ou nenhuma) renovação da água

Nos tanques escavados, as lonas de Polietileno de Alta Densidade (PEAD) evitam infiltrações da água de cultivo no terreno, diminuindo a necessidade de troca de água. Em todos os casos, a aeração artificial é fundamental para manter os níveis de oxigênio nos tanques.

Outro aspecto importante é a monitoração frequente dos aspectos químicos, físicos e biológicos que permitem às bactérias trabalharem na limpeza do sistema. Desse modo, os tanques superficiais ou escavados e revestidos com lona normalmente têm boa produção, com 90% menos uso de água e de rações comerciais, reduzindo os custos de produção.

Com a redução das trocas de água e o monitoramento frequente das condições, a alimentação artificial amplia o controle da produção. Vamos falar mais sobre isso?

O custo com ração é 15% menor

Os dois índices diretos com maior influência no custo de produção são o peso médio e a taxa de conversão alimentar: uma medida de produtividade animal definida pelo consumo total de ração em um período, dividido pelo seu ganho de peso neste mesmo tempo.

No sistema de bioflocos, a alimentação aplicada é totalmente artificial e permite o melhor controle do desenvolvimento dos animais. Além disso, as bactérias auxiliam a desintegração de sólidos como muco, fezes e restos de ração, transformando alguns elementos em proteínas naturais que também servem de alimento aos animais.

A ração representa de 60% a 80% dos custos de produção nos sistemas convencionais. Já no sistema de bioflocos, o custo final específico com ração é pelo menos 15% menor do que em outros sistemas.

Por onde começar?

Além de tudo que já falamos aqui, há outros aspectos para prestar atenção na hora de investir na criação intensiva de peixes, como o custo energético, consultorias técnicas e custos operacionais.

Buscar conhecimento é fundamental para o planejamento e sucesso da sua produção. Por isso, o Senar Goiás criou um curso totalmente gratuito e online em que você vai aprender sobre:

• A introdução ao universo da aquicultura;
• Como a tecnologia de bioflocos surgiu e se desenvolveu;
• Quais são os fatores biológicos, físicos e químicos relacionados à tecnologia de bioflocos;
• Viabilidade econômica e como calcular custos;
• Como produzir tilápias, camarão e pirarucu com BFT;
Por onde começar?

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